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“Down With the Dictatorship of Hollywood”

Abaixo a ditadura hollywoodiana: From the weekend cultural supplement of Valor Econômico, Brazil’s principal national-circulation business daily.

I must say that it is very disappointing to move to an exotic tropical nation in another hemisphere only to find that all that cable TV has to offer is the same programming you get from Cablevision in Brooklyn — only badly dubbed.

You might as well as have stayed put on the couch in your Prospect Heights converted tenement condo.

This while all the local artists starve. My wife, a fine short fiction writer, being one of them. And so I come to have quite a bit of sympathy for the ceaseless outcry over Yankee cultural imperialism.

Efforts by Karen Hughes to win hearts and minds in Iraq, for example, with Virgina-based Arabic-language radio stations pumping out, not Umm Kulthoum, but Madonna, to our misguided neocolonial children in Mesopotamia, struck me as among the most culturally tone-deaf diplomatic initiatives in history.

This is what you get when, as the Bush government did, you hire sports marketers, TV programmers, loyal but stupid political smear-campaign radio spot producers, and blog-happy self-designated new media seers to conduct your national public relations.

Whether I would choose to be bombarded by an alt.mediasphere programmed by Uncle Hugo is another matter, of course. Valor provides some interesting data on the televised revolution up there in Hugoland. File under “consent, manufacture of.”

Os enredos carregam mensagens políticas, propagam valores socialistas e homenageiam libertadores da América. Podem ser sutis, como em “Los Bloques”, a tragédia de uma família de classe alta que vê o desmoronamento do pai – um juiz corrupto – e cujo vilão tem o mesmo nome do dono da única emissora de televisão aberta em Caracas fortemente oposicionista. Podem ser escancarados, como em “Comando X”, filme que gira em torno dos planos de um grupo extremista de explodir o maior edifício da capital venezuelana e derrubar do poder um popular presidente de esquerda.

The plots carry political messages, promote socialist values and pay homage to Latin American liberators. They may be subtle, as is the case with “Los Bloques,” the tragedy of an upper class family witnessing the decline and fall of its father, a corrupt judge, whose villian happens to bear the same name as the owner of the only oppositionist TV station in Caracas.

Or these values may be blatant, as in Comando X, a film about the plans of an extremist group to  blow up a principal government building and overthrow a popular leftist leader.

The trailer, from YouTube, is shown above.

Ao mesmo tempo em que nacionalizava companhias de serviços públicos, apertava petrolíferas estrangeiras e buscava uma mudança na Constituição para reeleger-se indefinidamente, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, resolveu criar uma produtora cinematográfica bolivariana para “combater a ditadura de Hollywood”. Como faz habitualmente, não guardou pudores. “Luzes, câmera, revolução” é o slogan que aguarda quem cruza os portões da Villa del Cine, em Guarenas, um município na periferia de Caracas. O que se vê dali em diante é um poderoso complexo audiovisual: dois estúdios internos; um estúdio externo de 3.500 m2, lagoa e rio artificiais; 12 módulos de edição e toda a classe de equipamentos de última geração.

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A Villa del Cine foi inaugurada em 2006, tem um orçamento de US$ 16 milhões só neste ano e foi responsável por triplicar a produção nacional, diz seu presidente, David Rodríguez, cineasta formado em Cuba. O catálogo já possui 13 filmes lançados, entre longas-metragens e documentários, e outros 12 têm estreia prevista até o fim do ano. A produtora nasceu com um propósito claro: espalhar os princípios da “revolução bolivariana” e do “socialismo do século XXI”. “Os Estados Unidos não difundem seus valores por meio do cinema?”, questiona Rodríguez, empenhado em defender o projeto. É um cinema feito por revolucionários, para revolucionários. “De um lado, toda ação criativa é eminentemente política. De outro, tentamos fomentar um público crítico e ajustado com a nossa revolução.”

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Para divulgar melhor essas produções, o Ministério da Cultura abriu 196 salas de cinema em comunidades pobres, mas o sucesso entre o público mais tradicional é questionável. Os principais shopping centers de Caracas não dão muita bola para as películas da Villa del Cine, os camelôs da cidade só vendem DVDs piratas com estrelas hollywoodianas e as lojas da rede Blockbuster ainda não têm uma seção de filmes nacionais.

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Apesar disso, mais de 200 mil pessoas assistiram à primeira superprodução da autarquia, “Miranda Regresa”, um épico que relata a história do herói da independência Francisco de Miranda (1750-1816). O orçamento de US$ 2,3 milhões incluiu tomadas em Cuba e na República Tcheca. Danny Glover, o astro americano de “Jogos Mortais” e da série “Máquina Mortífera”, é um fã declarado de Chávez e fez uma pontinha no filme.

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As instalações da Villa del Cine, a propósito, receberam a visita de atores e diretores como Sean Penn, Tim Robbins, Kevin Spacey e Benicio del Toro. Penn – cujo pai era abertamente comunista – interessou-se pela quantidade de gente jovem que trabalha ali e Robbins procurou locações para seus próximos filmes. As incursões de Glover na Venezuela ganharam ares de escândalo quando ele pleiteou US$ 18 milhões do orçamento estatal para produzir e dirigir um filme sobre Toussaint Louverture, líder negro que comandou uma revolta de escravos decisiva para a independência do Haiti, no fim do século XVIII. Depois de muita controvérsia, Glover acabou desistindo do projeto e os recursos não foram liberados.

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Para um país sem tradição no cinema, surpreende a qualidade técnica das produções da Villa del Cine. As reconstituições históricas são verossímeis, a edição é bem feita. Para épicos como “Miranda Regresa” e “Zamora” – título que homenageia o general Ezequiel Zamora (1817-1860), pai do regime federalista venezuelano, e deve estrear em junho -, casas e igrejas coloniais foram recriadas. Atores locais já consagrados têm a sua vez, mas os papéis de destaque são dados preferencialmente a egressos do teatro que ainda não conhecem a fama. Geralmente, os protagonistas estão nessa posição pela primeira vez. Os figurantes costumam ser escolhidos nas próprias comunidades onde os filmes são ambientados.

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A maior parte dos roteiros é selecionada em “concursos de ideias”, com temática aberta ou predefinida e julgamento por um comitê estatal. Se o filme estourar, ganha o autor, que mantém todos os direitos sobre a obra. Mas a Villa del Cine deixa claro que trabalha sem pretensões comerciais. “Não estamos buscando dinheiro. Queremos impulsionar a indústria cinematográfica nacional”, define Rodríguez.

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O presidente da produtora diz, ainda, que a Villa ampliou as perspectivas de trabalho para os profissionais venezuelanos do setor. E lembra que o governo também criou a Amazonia Films, uma distribuidora estatal que leva as produções bolivarianas para os países vizinhos e filmes latino-americanos para a Venezuela, em um “verdadeiro gasoduto audiovisual na região”, como afirma o cineasta, em referência ao projeto aposentado de Hugo Chávez de implantar um supergasoduto até a Argentina.

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“O ponto positivo é que nenhum governo havia investido tanto em matéria de cinema”, reconhece o crítico Juan Antonio González, que assina uma coluna no jornal caraquenho “El Nacional”. Ele ressalta a infraestrutura da Villa del Cine e acredita que ficaram para trás os tempos em que a Venezuela não produzia um único filme por ano, mas os elogios param por aí. De que adianta ter equipamentos modernos e custos de produção subsidiados, sugere González, se “os filmes defendem valores propagandeados pelo Estado e cineastas que alguma vez se demonstraram contra o governo não conseguem emplacar seus projetos?”

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Talvez o presidente Chávez pense em transformar a Villa del Cine em uma referência internacional como a escola de San Antonio de los Baños, em Cuba, especulam os venezuelanos. Mas o caminho parece longo. “Os filmes cubanos transcendem a pura propaganda. Aqui, as produções são apenas panfletárias. Nem sempre é algo evidente, mas frequentemente abusam do caricaturesco, do lugar-comum e da linguagem televisiva. Não têm nada de Glauber Rocha”, compara González.

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Para ter uma ideia do que isso significa, o documentário “Venezuela Oil Company” é simbólico. Ele narra a saga do petróleo no país, desde a primeira descoberta, no início do século passado, até a nacionalização da gigantesca reserva da Faixa do Orinoco, na era Chávez. Entre um evento e outro, a histórica greve geral da PDVSA, em 2003, que parou completamente a produção e resultou na demissão de 18 mil funcionários.

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Hugo Chávez não aparece em um único momento, mas executivos americanos e o ex-embaixador dos Estados Unidos são ridicularizados. No fim, o depoimento de um poeta e dramaturgo venezuelano: “Nenhum país produziu tanto ao capitalismo mundial em tão pouco tempo mais que os índios aos espanhóis e a Índia aos ingleses. O petróleo tem de servir para mover sentimentos e valores. Para que não haja nenhuma guerra no Oriente Médio. Para que os Estados Unidos não tenham de invadir o Iraque nem que Israel tenha de invadir o Líbano”.

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