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“The Real Brazil”: The Industrial Revolution Will Not Be Televised

//i113.photobucket.com/albums/n216/cbrayton/Stuff/futuro.jpg?t=1207307024” contém erros e não pode ser exibida.
By Roberto Cavalcanti de Albuquerque and Joao Paulo dos Reis Velloso (publication date not something that Brazilian online booksellers think you might want to know).

Brazilian Justice Minister Tarso Genro hammers on a familar note in Valor Econômico yesterday:

O Brasil da mídia e o Brasil real

The Media’s Brazil and the Real Brazil

Genro is the leading figure in the centrist Campo Majoritário faction in the ruling PT (Worker’s Party). The argument he makes here is not especially original, but interesting in that its constant reiteration seems to stem from the conviction that this talking point is an extremely effective one.

Em artigo publicado recentemente, o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, apresentou suas impressões sobre a atual situação brasileira. Soares esteve no Brasil em fevereiro e percorreu três das mais importantes cidades brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte e Brasília). Na ocasião, encontrou-se com o presidente Lula e com algumas de nossas mais expressivas lideranças oposicionistas – FHC, Aécio Neves e José Serra. O líder português constatou a existência de duas “realidades” bem distintas: uma encontrada nas páginas de nossos principais jornais e nas imagens da TV (que parece retratar um país “à beira de um colapso”); e outra verificada no cotidiano dos brasileiros (que percebem que seu país “está a dar certo”).

In a recently published article, former president of Portugal Mário Soares presented his impressions of the current situation in Brazil. He was in Brazil in February and traveled to the three most important Brazilian cities (São Paulo, Belo Horizonte and Brasília). He met with President da Silva and some of our most prominent opposition leaders — [former president] Cardoso, [Minas Gerais governor] Neves and [São Paulo governor] Serra. The Portuguese leader noted the existence of two very different “realities” here: One found in the pages of our leading newspapers and on our TV screens (which seem to show us a nation “on the brink of collapse”); and another experienced in the everyday lives of Brazilians (who perceive that their country “is starting to get on track.”)

São dois “brasis” que não se comunicam e se estranham: um certo Brasil da mídia e o Brasil real. De um lado, na mídia, uma agenda de crise interminável e, de outro, o Brasil retratado pelo otimismo e pela ascendente relevância do país no cenário mundial. É o Brasil, segundo Soares, da “inflação baixa” e “controlada”, no qual o “emprego tem subido espetacularmente e a pobreza diminui de forma sensível”.

These are two very different Brazils that do not communicate with one another and which hardly know one another: A certain version of Brazil in the media and the real Brazil. On one hand, in the media, an agenda of permanent crisis, and on the other, a Brazil defined by optimism and the growing relevance of the nation on the international scene. This is the Brazil, Soares says, of “low inflation” that is “under control,” in which “employment has risen in a spectacular fashion and poverty has been visibly reduced.”

Naquele primeiro Brasil, o governo Lula é retratado com ironia, agressividade e parece não ter orientado um espetacular aumento das reservas internacionais (US$ 162,9 bilhões nos últimos 12 meses) ou uma expansão recorde das exportações. E menos ainda parece ter algum mérito a passagem do Brasil à condição de credor no mercado internacional, resultado obtido pela atual equipe econômica.

In the media’s Brazil, the Lula administration is treated with scorn and aggression and apparently does not deserve the credit for the spectacular increase in foreign reserves (US$162.9 billion in the last 12 months) or a record expansion of exports. Nor does it attach any importance to the fact that Brazil has gone from being a debtor to a creditor nation in the international market, a result achieved by the current economic team.

A crise da dívida, deflagrada há quase três décadas, encerra-se sob o governo Lula sem que a maioria dos cronistas credite este fato ao acerto do presidente na condução da política macroeconômica. Para o ex-presidente Mário Soares, onde Stefan Zweig enxergava um “país de futuro”, hoje é possível identificar uma “incontornável realidade” positiva.

The debt crisis, which began some three decades ago, is being closed out under the Lula government without most columnists crediting this fact to the president’s correct macroeconomic decision-making. In the view of former president Soares, where Stefan Zweig once saw “a nation of the future,” today it is possible to identify an “unquestionably positive reality.

Poor Stefan Zweig killed himself shortly after writing that book, a sort of love letter to the Estado Novo that saved him from the Holocaust.

A recent movie about the last days of Zweig and his wife, Lost Zweig, bankrolled in part by TV Cultura here in São Paulo, was just unforgivably awful.

Não se trata, por óbvio, de supor a existência um governo sem defeitos, mas sim de enfrentar um falso nivelamento, através do qual parte da mídia torna-se o centro de elaboração intelectual de um oposicionismo extremo. Vejamos, então, alguns dos principais argumentos que circularam nos últimos dois anos, cuja síntese podemos organizar em alguns breves postulados:

This is not to try to say that this a government without shortcoming, of course, but to confront the [phony “flat world” perspective] that part of the media uses to take center stage as the intellectual representative of an extremist opposition. Let us look at some of the principal arguments it has circulated in the last couple of years, which can be summarized as follows:

1. “O Brasil vai bem porque o cenário internacional é favorável”: acadêmicos e técnicos – das mais distintas vertentes ideológicas – são categóricos ao afirmar que o país nunca esteve tão preparado para enfrentar uma turbulência externa como agora. É um cenário decorrente diretamente da redução da vulnerabilidade externa e da ampliação de nossas reservas internacionais – resultado obtido pelo atual governo.

1. “Brazil is doing well because of favorable global conditions”: Academicians and technocrats of various ideological stripes state categorically that Brazil has never been better prepared to confront market turbulence abroad than now. This capacity is the direct result of its reduced exposure and to the growth of our reserves — something the current government got done.

2. “A política internacional de Lula vai fracassar”: a postura do Brasil, não apenas no que se refere às relações com o G-8 ou com os EUA, mas também em relação aos demais países de nosso continente, nos situa em uma posição destacada de referência política na América Latina. A posição do Brasil, por exemplo, diante dos incidentes diplomáticos envolvendo o Equador e a Colômbia, bem como os resultados da última reunião do Conselho Permanente da OEA, confirmam o acerto da política externa brasileira, que transforma o país em peça-chave do equilíbrio regional e em importante interveniente no cenário global.

2. “The Lula foreign policy will fail”: Brazil’s posture, not only with respect to relations with the U.S. and the G-8 but also with other countries in South America, has led to our assuming a leadership role in Latin America. In the diplomatic incident between Ecuador and Colombia, for example, our position, as well as the results of the last meeting of the OAS, show our foreign policy is successful, and that Brazil is key to regional stability and an important player on the global stage.

3. “Lula segue fazendo o mesmo que FHC na área econômica, por isto estabilizou a economia”: este, sem dúvida alguma, é o mais visivelmente inverídico dos argumentos. A política de recuperação do valor real do salário mínimo, de reestruturação do setor público e a ampliação dos investimentos em infra-estrutura e em políticas sociais posta em prática pelo atual governo levaria, segundo a ortodoxia neoliberal, à elevação da inflação, do desemprego e da informalidade nas relações trabalhistas. Erro: de 2003 a novembro de 2007, foram criados no país 6,6 milhões de empregos com carteira assinada e o salário mínimo teve um aumento real de 46,7%. O país cresce há 23 trimestres consecutivos. O atual desempenho do PIB só encontra paralelo nos anos do “milagre econômico” do regime militar, com a diferença fundamental, agora, de associar crescimento econômico com distribuição de renda e respeito às instituições democráticas.

3. “Lula is just continuing Cardoso’s economic policies, which explains why the economy is stable”: This is without a doubt the most glaringly specious argument of all. The current government’s policy of recovering the real value of the minimum salary, of restructuring the public sector and investing in infrastructure and social programs, should, according to neoliberal orthodoxy, lead to an increase in inflation, informal work and unemployment. Wrong: Between 2003 and November 2007, 6.6 million formal jobs were created and the real value of a minimum salary increased 46.7%. Brazil has grown for 23 consecutive quarters. Current GDP growth is only rivaled by the years of “economic miracle” under the military regime, with the fundamental difference that now, growth is associated with income redistribution and respect for democratic institutions.

4. “O governo Lula é conivente com a corrupção”: omitem que o combate aos crimes de colarinho-branco teve um grande incremento no atual governo. Somente no ano de 2007, a Polícia Federal totalizou 457 capturas por suspeitas de improbidade, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de realizar outras 40 grandes operações. É possível afirmar que o país jamais combateu a corrupção como agora. Dezenas de investigações e operações que buscam “pessoas” – e não “partidos” – em ações delituosas foram promovidas e estão em andamento, cumprindo orientação direta do presidente, de combater sem tréguas à corrupção.

4. “The Lula government is complacent (complicit) with corruption.” They fail to mention that efforts against white-collar crime have grown under the current administration. In 2007 alone, the federal police arrested 457 suspects on corruption, money-laundering and tax evasion, in addition to 40 other major operations. It is possible to state the Brazil has never combated corruption as it is doing now. Dozens of investigations and operations that seek to identify “persons” — and not “political parties” — engaged in criminal activity have been carried out or are in process, in compliance with a direct order from the president to combat corruption with no quarter given.

Por fim, cumpre informar que a opinião de Mário Soares encontra eco em outras análises realizadas por diferentes órgãos da imprensa internacional. A revista britânica “The Economist”, há algumas semanas exaltou em suas páginas o sucesso do programa Bolsa Família. Da mesma forma, o periódico londrino “Financial Times” dedicou-se, recentemente, a analisar o excelente momento econômico vivido pelo país. O jornal “The Guardian” não poupou elogios ao governo Lula, recentemente. Estas análises contrastam com artigos, veiculados no Brasil recentemente, que inclusive expressam “indignação” diante do fato de que beneficiários do Bolsa Família, com sua renda familiar, adquiram eletrodomésticos. Seria um consumismo absurdo!

Finally, Soares’ observations have been echoed by analyses published in the foreign press. Some weeks ago the Economist praised in its pages the success of the Bolsa Familia family income subsidy. The Financial Times of London recently analyzed the excellent economic moment Brazil is enjoying. The Guardian recently praised President Lula highly. These analyses contrast with articles published in Brazil recently that express “indignation” over the fact that recipients of the income subsidy are acquiring home appliances with their family income. This is supposedly an absurd consumerism!

Who cares what the British think?

The argument was advanced in O Globo by Globo journalist director Ali Kamel — possible the most intellectually dishonest man in the Southern Hemisphere, outside of the Mugabe government. See also

There is hope for the Brazilian news media — including organs of conservative opinion — but we are still at a point where you should never, ever consume it without first boiling it thoroughly to make sure it is fit for human consumption.

Neste ritmo, provavelmente, nossos futuros historiadores terão de recorrer à imprensa internacional caso pretendam analisar, com alguma profundidade, o que sucede atualmente no país. É forçoso reconhecer, no entanto, que somente a liberdade de imprensa nos salva da treva absoluta da desinformação, ainda que as luzes estejam hoje concentradas em alguns periódicos ou páginas e blogs na internet, e mesmo em poucos espaços da chamada grande mídia, como prova a manchete deste jornal no dia 3 de março deste ano, citada como epígrafe.

At this rate, future historians will probably have to look to the international press if they want to learn, in depth, what happened in the country during this period. It is vital to remember, however, that only freedom of the press can save us from the darkness of disinformation, even if the points of light these days are concentrated in a few periodicals and blogs on the Internet, and even in a few places in the so-called major news media, as the headline from this newspaper from March 3, 2008, cited here as an epigraph, shows.

If concentration of media ownership does not worry you much, you should look at the history of the problem in Brazil. Pretty goddamn dystopian.

Quote of the week, from Imprensa magazine (I translate):

“One of the weirdest things about Brazilian journalism is the fact that it still gives credence to what U.S. newspapers, and especially the New York Times, have to say about this country.”Kenneth Maxwell, in an editorial in the Folha de S. Paulo regarding the provincialism that still characterizes the Brazilian press.

That, of course, is my retranslation of the translation of the man’s  column in English into New World Lusophony. (Or perhaps he wrote it in Portuguese?) The official translation of he actually wrote:

One of the strangest things about Brazilian journalism is the continuing credibility given to what the U.S. newspapers say about the country, especially the New York Times.

I should have known that British academics do not tend to use the word “weird” as often as we California surfer dudes do.

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