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Rohter, Rainha do Deserto Cultural?

Alguém me explique — s’il vous plait — como é que uma versão dublada da peça musical Priscilla Rainha do Deserto — musical de Broadway que por sua vez foi uma versão teatral do filme brega australiano de 1994 — chegou a receber tamanha apoio tanto estadual quanto federal para sua estreia em São Paulo.

Esses dias, entre um episódio de House M.D. mal dublado e outro, nossa TV a cabo está cheia de anúncios desse espectáculo metrosexual.

Numa matéria recente, o repórter Larry Rohter do New York Times elogia o sistema brasileiro de apoio cultural, o SESC.

Rohter exibe o mesmo mau gosto pelo qual ficou famoso com sua resenha entusiasta do livro da Bruna Surfistinha. Também, como costuma fazer, Rohter exagera e negligencia os fatos.

Nesse artigo, por exemplo, ele entrevista apenas duas fontes dentro do que deveria ser o setor cultural nacional: os paulistas Abram Szajman e o  Danilo Miranda — esse último «diretor há 26 anos do Departamento Regional do Servico Social do Comércio (Sesc) no «Estado de São Paulo».

Há 26 anos? Parece com um coronel chileno virado senador vitalicio! São reis do deserto cultural, segundo seus críticos.

Ora e olhe, depois de anos e anos nesse seu Pais, eu continuo perplexo quando da cultura e politica de subsídios culturais.

Ainda assim, eu tenho quase certeza de que todo um debate da Lei Rouanet continua em força ainda hoje e que o leitor deve ficar informado sobre este fato. Entreviste nosso amigos criativos que trabalham nas trinheiras. Não é nenhum leito de rosas, viu?

O primeiro sinal de uma reportagem inadequada é se apoiar numa única fonte, ou nesse caso duas fontes representando a mesma estrutura de poder.

Além disso, a reportagem deixa de mencionar o papel da Senac e Sebrae nas atividades do presidente de SESC, o Sr. Szjaman.

Assim, a reportagem vira um «puff piece», um panfleto dando uma força ao setor de turismo local. Esconde a natura partidária do debate cultural fingindo tratar-se de uma unamidade nacional, um fait accompli. São Paulo é considerado como a parte que representasse o todo — como se voce entrevistasse o prefeito de Nova York buscando insight sobre a cabeça dos gringos do Centro-Oeste.

Navegando o Mar de Rosas

Visto de forma mais abrangente, o sistema SESC-SENAI-SEBRAE apresenta pistas na máquina política do que seus opositores reclamam.

Seus programas culturais são ajustados à ideologia empreendedora que orienta os programs sociais do governo paulista. Sem tocar no mérito desses programas — eu também já li os livros de Hernando de Soto — sua interdependência fica claro nesse análise da sua «ecologia virtual».

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