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O Globo | Mea Culpa


Protestors make symbolic use of horseshit to erase the Globo logo from view

“We participated in the 1964 Revolution <because> we identified with the national yearning for the preservation of democratic institutions, which were threatened by ideological radicalism, strikes, social disorder and generalized corruption. When our newsroom was invaded by anti-Revolutionary forces, we remained firm in our position. We continued to support the victorious movement from its first moments until the current possibility of a political liberalization that should be consolidated with the electon of a new president. — Roberto Marinho, in O Globo, Edition n° 1.596, 7 October 1984.

Source: Terra Brasil.

Topic: O Globo admits error in supporting 1964 coup

This Saturday, the daily O Globo <Wikipedia> published an article on its Web site in which it admits it was wrong to support the coup of 1964, which led to a military dictatorship.

Pressured by the June protests, Globo decided to publish its apology, which it says details internal debate over the <conduct of the newspaper during the dictatorship>.

“There is not reason we should not explicitly acknowledge that our support was an error, as were other editorial decisions of that time that flowed from the first,” said the article, published in a special section called Memory, which lays out the history of the company.

During the protests that broke out in June, Globo and its affiliates were targeted by protestors in several different cities. Marchers accused the company of having supported the dictatorship as a matter of editorial policy.

Actions against Globo buildings were registered all over Brazil. In releasing its apology today, O Globo says that “goverments and instiitutions must find some way to answer the clamor in the streets.”



Globo writes:

“The memory <of this episode> is always an uncomfortable one, but there is no way to refute it. It is part of history. At the time, O Globo, sincerely believed in <the need for> military intervention, as did other major dailies, such as the O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil and the Correio da Manhã, to cite just a few,” Globo says.

The article sheds light on the poltical situation prior to the coup, and recalls how, on March 31, 1964, O Globo offices were invaded by marines commanded by Admiral Cândido Aragão, a supporter and “military asset” of  João Goulart, as people said in those days.

“In this context, the coup, which became known as the Revolution– a term Globo used regularly for a long period of time — was viewed as the only alternative to preserve democracy.”

In justifying their actions,, the military promised a quick intervention, a matter of surgical precision. When there was no more risk of a coup from the Left, power would be returned to civilians. Thus, as promised, the 1966 presidential elections were scheduled,” Globo explains.

The newspaper also says that Roberto Marinho, chairman and CEO of Globo at the time, “was always on the side of legality.”“He pushed Getúlio into calling a constitutional congress to instituionalize the Revolution of 1930. He was opposed to the Estado Novo, vigorously the 1946 constitution  and and defended the occupation of the presidency by Juscelino Kubistchek in 1955, when civilian and military sectors of society were questioning it. During the 1964 dictatorship, he always took a firm position on the persecution of leftist journalists himself: notoriously, he made a point of hiring many of these to work at O Globo.”

O Globo concludes saying that “History is the most powerful instrument a person can have in order to move in the direction of the future: Lessons are learned by errors committed, and we obtain something of value when we recognize our errors

“O Globo has no doubt that its support for the coup [was an error]. It is apparent that those who led the paper and worked there at the time had the best intentions, thinking of the well-being of Brazil,” the paper said.

Ah, yes, <when were young and our lives were like an open book >…

DIogo Costa analyzes the editorial from the political point of view:

Yesterday’s editorial, a mea culpa for its unchallenged support for the coup of 1964, could be a signal that the Marinho brothers have finally read the signs of the times. As in the fable of the toad and the scorpion, however, Globo will do whatever is in its power to defeat Dilma Rousseff and the Workers Party in 2014.

They desperately need government that is more friendly to their business interests. That is what makes 2014 so urgent for them. A fourth consecutive Workers Party presidency will represent a harsh strategic defeat for Globo.

Fazendo Media, a more radical critic of the Silver Venus:

To say that Globo was essentially built with the support of the CIA to provide support to the 1964 coup is more than a rhetorical exercise, because it was thanks to this support that Globo grew rich, swapping favorable news reports for advertising buys. In this way, the worst crimes of the dictatorship were hushed up. An example is the Riocentro scandal in which the military — in order to remain in power — targeted a popular music festival at the Riocentro, with a large audience — <20.000 -Ed.>. The plan was to   close the doors from the outside and throw bombs, leading to panic, pain and death, The blame would be placed on revolutionaries contrary to the dictatorship, whom Globo consistently referred to as “terrorists. “

< —Wikipedia, “Críticas à Rede Globo | Apoio ao Regime Militar” –>

In an interview for the British documentary film Beyond Citizen Kane, former Justice Minister  (1974-1979) Armando Falcão said that “Roberto Marinho never created any sort of problems for me. I was the minister and chief censor, and he was director of Globo, of Globo TV, of Radio Globo …. he never gave me any trouble.  President Médici once told the evening newscast, Jornal Nacional: “I feel happy every evening when I turn on the TV to watch the news. When the news of the day involves strikes, demonstrations, upheaval and conflicts in other parts of the world,  Brazil marches in peace on the way to development. It is as though I had taken a tranquilizer after leaving the office.”

Globo in its own words

The original text follows, awaiting a moment when I have time to complete the translation.

RIO – Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.

Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.

Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.

Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.

Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.

De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:

“Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.

A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.

Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de alguns segmentos das Forças Armadas.

Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O GLOBO foi invadido por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido Aragão, do “dispositivo militar” de Jango, como se dizia na época. O jornal não pôde circular em 1º de abril. Sairia no dia seguinte, 2, quinta-feira, com o editorial impedido de ser impresso pelo almirante, “A decisão da Pátria”. Na primeira página, um novo editorial: “Ressurge a Democracia”.

A divisão ideológica do mundo na Guerra Fria, entre Leste e Oeste, comunistas e capitalistas, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada país. No Brasil, ela era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros.

Obteve, então, os poderes plenos do presidencialismo. Transferir parcela substancial do poder do Executivo ao Congresso havia sido condição exigida pelos militares para a posse de Jango, um dos herdeiros do trabalhismo varguista. Naquele tempo, votava-se no vice-presidente separadamente. Daí o resultado de uma combinação ideológica contraditória e fonte permanente de tensões: o presidente da UDN e o vice do PTB. A renúncia de Jânio acendeu o rastilho da crise institucional.

A situação política da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de “base” “na lei ou na marra”. Os quartéis ficaram intoxicados com a luta política, à esquerda e à direita. Veio, então, o movimento dos sargentos, liderado por marinheiros — Cabo Ancelmo à frente —, a hierarquia militar começou a ser quebrada e o oficialato reagiu.

Naquele contexto, o golpe, chamado de “Revolução”, termo adotado pelo GLOBO durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966.

O desenrolar da “revolução” é conhecido. Não houve as eleições. Os militares ficaram no poder 21 anos, até saírem em 1985, com a posse de José Sarney, vice do presidente Tancredo Neves, eleito ainda pelo voto indireto, falecido antes de receber a faixa.

No ano em que o movimento dos militares completou duas décadas, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial assinado na primeira página. Trata-se de um documento revelador. Nele, ressaltava a atitude de Geisel, em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, restabeleceu o habeas corpus e a independência da magistratura e revogou o Decreto-Lei 477, base das intervenções do regime no meio universitário.

Destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao regime, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila. Nas palavras dele: “Temos permanecido fiéis aos seus objetivos [da revolução], embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a autoria do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”

Não eram palavras vazias. Em todas as encruzilhadas institucionais por que passou o país no período em que esteve à frente do jornal, Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade. Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares.

Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do GLOBO. São muitos e conhecidos os depoimentos que dão conta de que ele fazia questão de acompanhar funcionários de O GLOBO chamados a depor: acompanhava-os pessoalmente para evitar que desaparecessem. Instado algumas vezes a dar a lista dos “comunistas” que trabalhavam no jornal, sempre se negou, de maneira desafiadora.

Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: “Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus”. Nos vinte anos durante os quais a ditadura perdurou, O GLOBO, nos períodos agudos de crise, mesmo sem retirar o apoio aos militares, sempre cobrou deles o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática.

Contextos históricos são necessários na análise do posicionamento de pessoas e instituições, mais ainda em rupturas institucionais. A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.

Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país.

À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”